A queixa contumaz procede, na sua essência, das fixações egóicas que predominam no comportamento do ser humano.
Quando o ego deseja fortalecer-se trabalha para chamar a atenção dos circunstantes, muitas vezes de maneira agressiva, revitalizando-se com a energia que lhe é direcionada.
Hábil, na dissimulação, oculta-se em condutas especiais que disfarçam as suas intenções de predomínio.
Nesse sentido, apresenta-se reativo, reclamando de tudo e de todos, de forma que os louros do bem e do bom exornem-no (enfeitar), exibindo-se como modelo digno que louvor e de comentários.
Em face desse comportamento, acumula toxinas emocionais nas paisagens íntimas, avançando para a manutenção do ressentimento.
Ressentir constitui uma forma de chamar a atenção dos outros em torno da sua morbidade. O egoísta sente necessidade de reviver, de reexperimentar as emoções perturbadoras das situações, mesmo as desagradáveis que lhe são impostas pelas circunstâncias, desta maneira vestindo-se de vítima, que deve ser homenageada pela sua infelicidade…
À medida, porém, que o ressentimento acumula resíduos psicológicos de amargura, transforma-se em rancor.
Nessa fase, a quebreira (fadiga física) se instala e o resultado nefasto surge, atingindo aquele que se permitiu derrapar no engodo personalista.
O ressentimento é estágio de censura contra a conduta do próximo, apontando-lhe os desvarios e os erros que, em hipótese última, trata-se da projeção dos próprios conflitos.
Não tendo coragem de proceder a uma autoanálise libertadora, muito fácil se torna a atitude censurável, rica de observações deprimentes, sempre lúcida no seu aspecto perverso, semeando dissensão e desencanto em torno de si, de alguma forma tornando-se o centro da ocorrência.
O ressentimento demorado transforma-se num bafio pestilento que invade as áreas nobres do cérebro, perturbando-lhe as neurocomunicações, por consequência, dando origem a transtornos de variada catalogação.
A mente saudável sempre emite ondas de harmonia psíquica, enquanto aquela que se desvia das finalidades do bem produz energia para anular as ideias dignificantes, comprazendo-se em albergar as construções morbígenas que a enfermam.
Quando o ego não consegue exaltar-se através da fatuidade e da presunção, sente-se ferido, ataca e faz-se mais agressivo quando não encontra resistência, oposição, de que necessita para nutrir-se.
Não reagir ao mal do rancoroso, ao invés de ser uma atitude significativa de fraqueza moral, constitui uma verdadeira fortaleza espiritual daquele que padece os espículos disparados pela inferioridade de quem se lhe volta contra.
Carregar um sentimento semelhante, revidando acusações, entrando em debate inútil, constitui uma forma de armar-se e perder a serenidade.
Somente por que alguém se transforma em inimigo de outrem, esse não tem por que preocupar-se com a sua insânia, devendo prosseguir em paz.
Há, no entanto, eficiente antídoto, que não deve ser olvidado, sempre que o ressentimento ensaie instalar-se nas paisagens mentais…
Trata-se do perdão incondicional, irrestrito.
Fonte: Livro: Atitudes Renovadas – Divaldo P. Franco, pelo Espírito de Joanna de Ângelis.





