O TORMENTO DO PODER
O poder, que é fascinante pelos favores que proporciona ao seu factoto (factotum – administrador), é de grave responsabilidade para quem o exerce.
Nos mais variados campos do comportamento humano destacam-se indivíduos exponenciais que, amados ou invejados, passam, queiram ou não, a exercer influência aos demais que os tomam como líderes e exemplos.
As garantias para o exercício consciente ou não desse destaque são a estrutura moral, a capacidade de discernimento, a fim de não se permitirem a bajulação que envilece o caráter, nem entrarem em competições que corrompem.
A sã consciência dos valores que os caracterizam dá-lhes robustez para prosseguirem no rumo elegido, sem tornar-se presunçoso ou temerário, reconhecendo os limites que possuem e a grande necessidade de mais desenvolverem a capacidade que lhe confere os títulos de enobrecimento.
Quando isso não ocorre, é exercido o poder que submete os outros e os amesquinham, que os necessitam e os desconsideram, que se nutre das suas energias e admiração enquanto os subestimam…
Encontramos essa infeliz conduta naqueles que, despreparados para as vitórias nas áreas em que se movimentam, ao alcançá-las fazem-se prepotentes, avaros, déspotas, tornando-se novos Golias que sucumbirão nos confrontos com os Davis existenciais, que, embora desconsiderados, os alcançam e os suplantam…
Cientistas e religiosos, pensadores e artistas presunçosos, apesar das façanhas grandiosas que realizaram, não sabendo conduzir-se no poder natural que a vida lhes oferece, são vencidos pelo tempo que a tudo ilusório dilui na inexorável marcha da realidade.
Não é fácil superar a tendência para o poder, para o domínio, para a submissão dos outros aos ditames das suas paixões inferiores.
Pessoas simples, idealistas e lutadores dedicados, logo que se tornam conhecidos ou destacados no meio em que se encontram, infelizmente sem as resistências morais para as circunstâncias, derreiam na aceitação do falso poder que supõem agora dispor e modificam-se, agindo com a mesma insensatez daqueles que antes combateram.
Quando Jesus enviou os setenta da Galileia para anunciar a Era Nova, deu-lhes o poder de curar os enfermos, ressuscitar os mortos, limpar os leprosos, expulsar os demônios, de graça havendo recebido, de graça oferecerem, e recomendando que não se munissem dos valores da Terra que aparentam segurança… (Mt.10:8)
O verdadeiro poder vem do alto, qual o que foi conferido ao Mestre pelo Pai que O enviou.
Infelizes, portanto, as lutas pelo poder, mesmo nos pequenos grupos onde proliferam a presunção, a disputa doentia, a exorbitância da vaidade.
Fonte: Entrega-te a Deus- Divaldo Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis.






